Atualmente os apelos por uma alimentação saudável são tão presentes nos meios de comunicação que facilmente acabamos nos perdendo em meio a tantas informações disponíveis. Alimentos são categorizados em vilões ou mocinhos, e quem não opta por orgânicos, glúten free, livre de lactose, versões integrais em todas as refeições, nas festas ou quando sai com os amigos, estão marcando pontos negativos para a saúde.

Algumas pessoas adotam comportamentos tão obsessivos por alimentação saudável que existe um transtorno para descrevê-las: ortorexia. Apesar de ainda não ser reconhecida oficialmente como um transtorno alimentar, ela é real. O comer passou a ser um gatilho para a ansiedade, vivemos em plena guerra contra a comida, criando situações insustentáveis que acabam interferindo até em nossos relacionamentos interpessoais. Sabe aquela pessoa que carrega marmita na festa de fim de ano da empresa? Ou mesmo a mãe que proíbe o filho de ir à festinha do amigo para evitar que a criança coma um brigadeiro? Ou mesmo você, que deixa de sair com seus amigos porque eles certamente vão pedir pizza?

É hora de pararmos para refletir seriamente sobre o assunto. Acredito em alimentação saudável sim, em reeducação alimentar, que essas mudanças de hábitos são importantes para a saúde. Mas também precisamos nos reconciliar com a comida, não transformá-la em nossa inimiga. Comer é um ato social, que nos aproxima das pessoas. Então não se sinta culpado o tempo todo por um deslize que cometeu no almoço de família. Policie-se na medida certa, e você verá que as mudanças virão aos poucos e de forma natural.